
Restauração do presídio da Ilha Anchieta deveria ter terminado em agosto; e agora?
Restauração estava com 67% de execução em maio e deveria ter sido concluída em agosto; Fundação Florestal foi questionada sobre prazo, custos e reabertura
No dia em que Ubatuba celebra o feriado municipal da Paz de Iperoig, nesta segunda-feira (14), o UBA24 busca respostas sobre a preservação de outro importante patrimônio histórico da cidade: as ruínas do antigo presídio da Ilha Anchieta.

A Fundação Florestal informou, em maio, que as obras de contenção, conservação e restauração do complexo deveriam ser concluídas em agosto de 2026. O prazo terminou, mas ainda não há confirmação oficial sobre a conclusão e a entrega dos trabalhos.
O UBA24 encaminhou nesta segunda-feira uma solicitação de atualização ao órgão estadual. A reportagem quer saber se a obra foi concluída, qual é o percentual atual de execução, quais serviços ainda estão pendentes e quando a área interna das ruínas poderá ser reaberta à visitação.
Obra estava com 67% de execução
Em maio, a Fundação Florestal informou que aproximadamente 67% da restauração havia sido executada. Na ocasião, ainda estavam em andamento serviços de reforço estrutural das fundações e das paredes localizadas na parte posterior das ruínas.
Também permaneciam pendentes intervenções no sistema de drenagem e a implantação de uma área coberta em um dos pavilhões do antigo complexo prisional.
A justificativa apresentada para a alteração do cronograma foi a identificação de problemas estruturais nas paredes e fundações. Segundo o órgão, as condições encontradas durante os trabalhos exigiram intervenções adicionais para garantir a estabilidade das estruturas e a segurança dos futuros visitantes.
O prazo de agosto representava mais uma mudança no cronograma. As obras começaram no início de 2024 e, inicialmente, deveriam ser concluídas em fevereiro de 2025. A entrega foi posteriormente transferida para abril de 2026 e, depois, novamente adiada para agosto.
Quando a última previsão foi anunciada, ainda faltava aproximadamente um terço dos serviços. A Fundação Florestal teria cerca de três meses para executar os 33% restantes e entregar a restauração dentro do prazo informado.
Contrato original supera R$ 4,5 milhões
A obra foi contratada por meio da Concorrência nº 06/2023, vinculada ao Processo SEI nº 262.00000344/2023-51.
A homologação publicada no Diário Oficial do Estado estabeleceu o valor inicial de R$ 4.565.753,02. A empresa contratada foi a Kruchin Arquitetura Ltda.
Em maio, a Fundação Florestal afirmou que não havia sido realizado novo aditamento de valor, mas que ocorrera o reajuste financeiro previsto no contrato.
A reportagem solicitou agora o valor atualizado da intervenção, o total já pago à empresa, o saldo contratual e a existência de eventuais aditivos de prazo ou de valor.
Também foram pedidos o cronograma físico-financeiro atualizado, a medição mais recente, relatórios técnicos, termos aditivos e fotografias atuais das obras.
Área interna permanece fechada
Durante a execução dos serviços, a área interna do antigo presídio permaneceu interditada por segurança. Os visitantes podiam observar apenas as fachadas externas, enquanto as demais atrações do Parque Estadual Ilha Anchieta continuavam disponíveis conforme as regras de visitação.
A Fundação Florestal foi questionada sobre a permanência da interdição e se já existe uma data para a reabertura total ou parcial dos espaços restaurados.
Administrado pela Fundação Florestal, o Parque Estadual Ilha Anchieta possui 828 hectares e protege a segunda maior ilha do Litoral Norte paulista. A unidade de conservação foi criada em 1977 e reúne sete praias, 17 quilômetros de costões rochosos, áreas de Mata Atlântica, trilhas e patrimônio histórico-cultural.
Ruínas guardam parte da história da cidade
As edificações do antigo presídio representam um dos pontos históricos mais conhecidos de Ubatuba. A conservação das ruínas é considerada necessária para impedir o avanço da deterioração, garantir a estabilidade das paredes remanescentes e permitir uma visitação segura.
Além do restauro das estruturas, a expectativa é que o projeto melhore a apresentação do patrimônio ao público e amplie as possibilidades de atividades históricas e educativas dentro do parque.
O UBA24 solicitou que a Fundação Florestal explique os desafios técnicos encontrados, as etapas já concluídas e os próximos passos para preservação do complexo.
A reportagem pediu retorno até sexta-feira, 18 de setembro. Até a publicação desta matéria, a Fundação Florestal ainda não havia encaminhado as informações solicitadas. O texto será atualizado assim que houver manifestação oficial.

