28 de agosto de 2026
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Antes de tentar queimar o filme do jornalismo em Ubatuba, acerte a fotografia.

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Página de fora da cidade critica a imprensa caiçara, mas publica a foto da própria vítima identificando-a como outra pessoa. O erro diz muito sobre a diferença entre comentar um caso e realmente apurá-lo.

A repercussão nacional do caso Berenice fez com que diversos veículos e páginas passassem a falar sobre Ubatuba. Isso é absolutamente natural. O que não é natural é tentar desqualificar quem cobre diariamente a cidade enquanto se comete um erro básico de apuração.

A página The Exposed Brasil públicou uma arte afirmando que a fotografia da assistente social seria uma determinada pessoa. O problema é que a imagem utilizada não era dela. Era da própria Berenice Ramos de Aguiar, vítima do caso.

O erro foi percebido imediatamente pelos leitores, que passaram a apontar a falha nos comentários. Somente depois vieram as correções.

 

OBSERVEM:

1

 

2

3

Não estamos falando de um detalhe estético. Estamos falando da identificação da principal vítima de um caso de homicídio de repercussão nacional.

Quem pretende ensinar jornalismo precisa, antes de tudo, saber identificar corretamente quem está na fotografia.

A imprensa nacional tem todo o direito de cobrir qualquer fato ocorrido em Ubatuba. O problema não é ser de fora. O problema é chegar sem conhecer a cidade, sem acompanhar os acontecimentos desde o início, sem conhecer as pessoas envolvidas e ainda querer dar aula para quem vive essa realidade diariamente.

O jornalismo sério não é feito na velocidade da postagem.

É feito na velocidade da confirmação.

Durante mais de quatro anos, como jornalista e hoje no UBA24 acompanhei diariamente centenas de ocorrências policiais, operações, sessões da Câmara, denúncias, acidentes, tragédias, eleições, ações ambientais, investigações e acontecimentos que marcaram Ubatuba e todo o Litoral Norte. E ainda ajudando outros colegas de outros veículos de comunicação!

Nesse período, aprendemos uma regra simples: nunca confiar na primeira versão. Sempre conferir nomes, rostos, documentos, processos, boletins de ocorrência, decisões judiciais e ouvir todos os lados.

Foi exatamente isso que fizemos no caso Berenice.

Enquanto muitos passaram a comentar o caso apenas quando ganhou repercussão nacional, nossa equipe acompanhava diariamente cada desdobramento da investigação, conversando com autoridades, advogados, policiais, familiares e testemunhas.

Jornalismo não é torcida.

Não é vaidade.

Não é disputa por curtidas.

É compromisso com os fatos.

A própria Band resume muito bem esse princípio em sua campanha institucional ao afirmar que o jornalista deve ser um “funcionário da notícia”.

Essa talvez seja a melhor definição da profissão.

O jornalista não trabalha para confirmar narrativas.

Trabalha para verificar informações.

E isso exige tempo, responsabilidade e humildade para reconhecer erros quando eles acontecem.

Aliás, esse episódio deixa uma reflexão importante ao leitor.

Quando você vai ao supermercado, observa a marca, a procedência e até a data de validade do produto antes de colocá-lo no carrinho.

Com a informação deveria ser exatamente igual.

Antes de compartilhar qualquer publicação, pergunte:

Quem escreveu?

Quem apurou?

Quais documentos apresenta?

Quais provas foram mostradas?

Há espaço para o contraditório?

Porque uma fake news raramente nasce dizendo que é fake news.

Ela normalmente vem bem escrita, com aparência de reportagem e muita convicção.

O erro da fotografia mostrou exatamente isso.

Quem publica sem conferir pode induzir milhares de pessoas ao erro.

E quem compartilha sem verificar acaba ajudando a espalhar desinformação.

No UBA24 continuaremos fazendo aquilo que sempre fizemos.

Checando.

Conferindo.

Ouvindo todos os lados.

Corrigindo quando necessário.

Porque respeito à notícia começa pelo respeito aos fatos.

E respeito ao leitor começa pela verdade.

Francisco Trevisan
Jornalista – MTB 0096161/SP
Editor do UBA24

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DUVIDE.

CHEQUE.

NÃO ESPALHE FAKE NEWS.

Respeito aos fatos.
Respeito ao jornalismo.
Respeito a você, leitor.

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Francisco Trevisan

Jornalista, MTB 0096161/SP, graduado em Comunicação Social pela Unitau e editor do UBA24. Atua na cobertura de Ubatuba e do Litoral Norte paulista.

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