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Balão cai em área de mata em Ubatuba

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Ocorrência foi registrada neste domingo (30); soltura representa risco de incêndio, ameaça a aviação e é considerada crime ambiental

 

Um balão caiu em uma área de mata em Ubatuba neste domingo (30). Imagens que circulam pelas redes sociais mostram um dos balões sobrevoando a região antes da queda.

Até a publicação desta reportagem, não haviam sido divulgadas informações detalhadas sobre o ponto exato em que o artefato caiu, seu tamanho, sua procedência ou a identidade dos responsáveis pela soltura.

Também não havia confirmação oficial sobre a ocorrência de incêndio, pessoas feridas ou danos ao patrimônio. As autoridades permaneciam acompanhando os registros feitos em diferentes municípios da região.

 

Risco para a Mata Atlântica

A queda preocupa especialmente por ter ocorrido em uma área de vegetação. Um balão pode permanecer no ar durante horas e percorrer grandes distâncias, sem que seus responsáveis tenham controle sobre a direção ou o local em que cairá.

Se o artefato atingir o solo ainda com fogo, a chama pode alcançar folhas secas, galhos e outros materiais combustíveis. Dependendo do vento e das condições da vegetação, um foco inicialmente pequeno pode se transformar rapidamente em um incêndio de grandes proporções.

O risco ambiental é ainda maior em Ubatuba. Segundo a Prefeitura, aproximadamente 80% do território municipal está inserido em unidades de conservação da Mata Atlântica. O município integra uma das maiores áreas contínuas preservadas do bioma no país.

Um incêndio nessas áreas pode provocar danos à fauna, à flora, aos cursos d’água e à qualidade do ar, além de ameaçar comunidades próximas e exigir uma operação complexa dos órgãos de emergência.

 

Perigo não termina na queda

Além dos incêndios florestais, os balões podem atingir casas, veículos, redes elétricas, torres de transmissão, indústrias e outras estruturas.

Quando entram em áreas utilizadas pela aviação, também representam perigo para aviões e helicópteros. A falta de controle sobre altitude e trajetória pode colocar o artefato no caminho de aeronaves, inclusive durante operações policiais, atendimentos aeromédicos e missões de resgate.

Linhas, cabos, armações e outros materiais presos ao balão ampliam o risco. Mesmo depois da queda, essas estruturas podem permanecer sobre a rede elétrica, entre árvores ou em locais de difícil acesso.

 

Soltar balão é crime

O artigo 42 da Lei Federal nº 9.605, de 12 de fevereiro de 1998, conhecida como Lei de Crimes Ambientais, proíbe fabricar, vender, transportar ou soltar balões que possam provocar incêndios em florestas, outras formas de vegetação, áreas urbanas ou assentamentos humanos.

A pena prevista é de detenção de um a três anos, multa ou aplicação das duas penalidades. A responsabilização não depende necessariamente da ocorrência de um incêndio: a conduta já pode ser enquadrada quando o balão tiver capacidade de provocar fogo.

Caso a queda resulte em incêndio, danos ambientais, prejuízos ao patrimônio ou perigo para a navegação aérea, outras infrações e responsabilidades poderão ser apuradas pelas autoridades.

 

Ubatuba já registrou outros casos

Esta não é a primeira ocorrência envolvendo balões em áreas de mata no município. Em 3 de julho de 2026, a Defesa Civil identificou um balão na região do Perequê-Mirim e acompanhou seu deslocamento até a queda em uma área de vegetação no bairro da Enseada.

Naquela ocasião, não houve propagação de incêndio. O caso foi encaminhado à Polícia Militar Ambiental para as providências cabíveis, segundo informações da Prefeitura de Ubatuba.

A repetição dos registros demonstra que o problema não está limitado ao período das festas juninas e julinas. Os artefatos podem percorrer dezenas de quilômetros antes da queda, dificultando a identificação do ponto de soltura e dos responsáveis.

 

O que fazer ao avistar um balão

A população não deve tentar acompanhar, capturar ou retirar um balão que esteja preso em árvores, sobre fios elétricos ou dentro de uma área de mata.

Mesmo aparentemente apagado, o material pode conter brasas e voltar a provocar chamas. A entrada em mata fechada também expõe moradores a quedas, animais, fumaça e outros riscos.

Ao avistar um balão, a orientação é registrar, se isso puder ser feito com segurança, o horário, a direção do deslocamento e algum ponto de referência. Em seguida, a ocorrência deve ser comunicada às autoridades.

 

Em caso de fogo, o Corpo de Bombeiros deve ser acionado imediatamente pelo telefone 193. Informações sobre a soltura e possíveis responsáveis podem ser repassadas à Polícia Militar pelo 190.

Em Ubatuba, denúncias ambientais também podem ser encaminhadas à Polícia Militar Ambiental pelo telefone (12) 3832-2876 ou à Secretaria Municipal de Meio Ambiente pelo número (12) 3833-2439.

A reportagem acompanha a ocorrência deste domingo e atualizará a matéria caso sejam divulgados o local exato da queda, os órgãos mobilizados e outras informações sobre os balões avistados na região.

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Francisco Trevisan

Jornalista, MTB 0096161/SP, graduado em Comunicação Social pela Unitau e editor do UBA24. Atua na cobertura de Ubatuba e do Litoral Norte paulista.

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