27 de agosto de 2026
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Ar seco e fumaça exigem atenção à saúde em Ubatuba

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Mesmo localizada no litoral, a cidade pode registrar queda da umidade; fumaça e cheiro de vegetação queimada foram percebidos no Itaguá

A proximidade com o mar não impede Ubatuba de enfrentar períodos de tempo seco. A combinação entre falta de chuva, aquecimento durante o dia, direção dos ventos e atuação de massas de ar mais secas pode reduzir a umidade relativa e aumentar o desconforto respiratório.

Na tarde de domingo (2), era possível ver fumaça e sentir forte cheiro de vegetação queimada em pontos do bairro Itaguá. Até a publicação desta matéria, não havia informação oficial sobre a localização exata, a extensão ou a origem da queima.

O vento pode transportar a fumaça por vários quilômetros. Por isso, o local onde o cheiro é percebido nem sempre corresponde ao ponto em que o fogo começou.

O mar não mantém o ar úmido o tempo todo

A umidade relativa indica quanto vapor de água existe no ar em relação ao máximo que ele conseguiria armazenar naquela temperatura. Quando o ar aquece, principalmente durante a tarde, esse índice pode cair rapidamente.

A brisa marítima tende a transportar umidade, mas sua influência depende da direção e da intensidade do vento. Uma massa de ar seco vinda do interior, associada a vários dias sem chuva, pode prevalecer até mesmo em cidades costeiras.

Isso explica por que moradores podem sentir a garganta seca, os olhos irritados, os lábios ressecados e maior necessidade de beber água mesmo vivendo perto do mar.

Apesar do desconforto percebido, não havia até a publicação desta reportagem um aviso oficial colocando Ubatuba em nível crítico de baixa umidade. A sensação de secura não deve ser confundida automaticamente com um alerta meteorológico, que depende de medições específicas.

A classificação utilizada pela Defesa Civil considera estado de atenção quando a umidade fica entre 21% e 30%, alerta entre 12% e 20% e emergência quando o índice cai abaixo de 12%.

Fumaça agrava problemas respiratórios

O tempo seco favorece a suspensão de poeira, pólen e outras partículas. Quando há fumaça de vegetação queimada, o risco aumenta.

Segundo o Ministério da Saúde, a fumaça de incêndios florestais contém partículas finas, monóxido de carbono e outros gases capazes de irritar os olhos e as vias respiratórias. A exposição pode agravar quadros de asma, rinite, bronquite e outras doenças pulmonares.

Crianças, idosos, gestantes e pessoas com doenças respiratórias ou cardíacas precisam de atenção especial. Tosse, ardência nos olhos, garganta irritada, dor de cabeça, falta de ar e chiado no peito podem aparecer ou piorar durante episódios de fumaça.

O ar seco também contribui para a perda de água pela respiração e pela pele. Quando a reposição de líquidos é insuficiente, aumenta o risco de desidratação, especialmente entre idosos, que podem apresentar menor percepção de sede.

Como reduzir os riscos

A recomendação é beber água ao longo do dia, sem esperar a sede aparecer. Exercícios intensos ao ar livre devem ser evitados nos horários mais quentes e sempre que houver fumaça ou piora da qualidade do ar.

Também é indicado utilizar soro fisiológico nas narinas, manter os ambientes limpos com pano úmido e evitar varrer poeira. Quando a fumaça estiver intensa, portas e janelas devem permanecer fechadas temporariamente. Se for indispensável sair, máscaras PFF2 ou N95 oferecem proteção maior contra partículas finas quando utilizadas corretamente.

O Ministério da Saúde recomenda reduzir o tempo de exposição, manter a hidratação e procurar atendimento diante de falta de ar intensa, chiado persistente, dor no peito ou agravamento de doença respiratória.

Qualquer foco de incêndio em vegetação deve ser comunicado ao Corpo de Bombeiros pelo telefone 193 ou à Defesa Civil pelo 199. Emergências médicas devem ser encaminhadas ao Samu pelo 192.

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Francisco Trevisan

Jornalista, MTB 0096161/SP, graduado em Comunicação Social pela Unitau e editor do UBA24. Atua na cobertura de Ubatuba e do Litoral Norte paulista.

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