
Consulta não sai e Ouvidoria de Ubatuba ainda responde que está em recesso
Pacientes aguardam desde junho, enquanto mensagem automática enviada nesta quinta-feira (30) informa um recesso encerrado no início de janeiro
Pacientes que aguardam consultas médicas na rede municipal de Ubatuba chegaram ao dia 30 de julho sem previsão de atendimento. A reportagem acompanha as reclamações desde 17 de junho, quando questionou a Prefeitura sobre agendas fechadas nos postos do Itaguá, Estufa e Perequê-Açu.
Na ocasião, a Secretaria de Comunicação informou que a Atenção Básica trabalhava com um cronograma dividido por grupos prioritários, como gestantes, hipertensos e diabéticos. A resposta reconheceu que consultas gerais de rotina poderiam demorar mais.
A Prefeitura também explicou que as unidades adotaram a chamada “Garantia de Acesso”, apresentada como um cadastro dinâmico ou “lista de espera inteligente”. Nesse sistema, os postos entrariam em contato com os pacientes e utilizariam eventuais desistências para atender quem estivesse aguardando.
Passados 43 dias desde o primeiro questionamento, pacientes relataram que ainda não foram chamados. Nesta quinta-feira (30), o UBA24 voltou a solicitar uma posição da Prefeitura, mas não recebeu uma previsão objetiva para a realização das consultas.
Ouvidoria ainda está em “recesso”
Diante da falta de solução, a reportagem encaminhou a demanda à Ouvidoria da Prefeitura. A resposta automática recebida às 10h31 desta quinta-feira trouxe no assunto: “Recesso 20/12/2025 a 05/01/2026”.
A mensagem informa que a Prefeitura estaria em recesso entre 20 de dezembro de 2025 e o início de janeiro de 2026. Quase sete meses depois do retorno das atividades, o aviso continua ativo.
O texto automático também afirma que a Ouvidoria não recebe manifestações por e-mail e direciona o cidadão para a plataforma Fala.BR. No entanto, a própria página oficial da Ouvidoria apresenta o endereço ouvidoria@ubatuba.sp.gov.br como um dos contatos do órgão.
A Prefeitura identifica Thiago Alves Cardozo como ouvidor-geral e afirma que ele possui responsabilidade pela transparência, pelo controle social e pelo aprimoramento dos serviços prestados à população.
No dia 15 de julho, a administração municipal chegou a divulgar a participação da Ouvidoria em uma apresentação sobre um novo sistema destinado às manifestações relacionadas ao SUS, com acompanhamento dos prazos de resposta. Quinze dias depois, porém, o e-mail oficial continuava respondendo aos cidadãos com um aviso de recesso encerrado no início do ano.
O relógio da Prefeitura
Para quem espera atendimento médico, fica a impressão de que o relógio administrativo funciona em velocidades diferentes. Pregões, licitações e aditivos contratuais avançam e aparecem no Portal da Transparência. Quando a necessidade é uma consulta básica, a orientação é aguardar sem prazo definido.
A falha na manutenção de uma simples resposta automática também expõe a fragilidade de um canal criado justamente para ouvir o cidadão. Se a Ouvidoria não percebe durante quase sete meses que continua informando um recesso encerrado em janeiro, como acompanha as reclamações relacionadas a problemas mais complexos?
A responsabilidade pela manutenção dos canais oficiais e pela prestação dos serviços de saúde pertence à gestão municipal da prefeita Flávia Pascoal. Até o momento, a Prefeitura não informou quando os pacientes serão chamados nem por que a mensagem desatualizada continua ativa.
A matéria será atualizada caso a administração municipal apresente uma resposta objetiva.
