14 de setembro de 2026
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“Patas de gato” desenham manchas no mar de Ubatuba durante a chuva; entenda o fenômeno

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Áreas mais claras e escuras aparecem quando rajadas alteram a rugosidade da água; precipitação também interfere nas pequenas ondas da superfície

Uma imagem registrada durante a chuva em Ubatuba mostra diversas manchas irregulares espalhadas pelo mar, formando áreas mais escuras, claras, lisas e enrugadas entre as embarcações.

O fenômeno chama a atenção, mas tem uma explicação física. O padrão é compatível com as chamadas “patas de gato”, conhecidas internacionalmente pelo termo em inglês cat’s paws.

O nome é utilizado no meio náutico para descrever pequenas áreas encrespadas que aparecem quando rajadas localizadas de vento atingem uma superfície de água relativamente calma.

Essas manchas podem surgir, mudar de formato, deslocar-se e desaparecer rapidamente, acompanhando a variação do vento.

 

Por que algumas partes ficam escuras?

O vento não atinge toda a superfície do mar com a mesma velocidade e intensidade. Pequenas turbulências na camada de ar próxima à água produzem ondulações muito curtas, conhecidas como ondas capilares.

Nos pontos atingidos pela rajada, a superfície fica mais rugosa. Nas áreas com menos vento, a água permanece mais lisa.

Essa diferença modifica a forma como a luz é refletida. Dependendo da posição do observador, da luminosidade e do ângulo da câmera, os trechos enrugados podem parecer mais escuros, enquanto as áreas lisas aparecem mais claras — ou o contrário.

O que se vê na fotografia, portanto, não é necessariamente uma mudança na cor da água. A tonalidade aparente pode ser provocada pela maneira diferente como cada trecho da superfície reflete o céu nublado.

 

A origem do nome

O termo “patas de gato” surgiu porque as pequenas manchas parecem avançar sobre a água como se fossem marcas deixadas pelas patas de um animal.

Segundo uma explicação publicada pela Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos, a NOAA, as ondulações podem aparecer quando uma rajada começa a soprar sobre uma superfície anteriormente lisa.

Essas pequenas ondas desaparecem rapidamente quando o vento enfraquece. Enquanto estão presentes, porém, aumentam a rugosidade da água e permitem que o vento transfira mais energia para a superfície.

A chuva também interfere

Embora as “patas de gato” estejam ligadas principalmente à ação irregular do vento, a chuva também modifica a aparência do mar.

Cada gota que atinge a água provoca impacto, respingos e pequenas ondas circulares. Quando a precipitação se intensifica, milhões de gotas atingem simultaneamente a superfície e alteram sua textura.

Uma pesquisa publicada pela União Geofísica Americana demonstrou que a chuva pode modificar as ondas e as correntes próximas à superfície do oceano. Dependendo da intensidade, a precipitação pode produzir novas ondulações curtas e, ao mesmo tempo, amortecer parte das ondas formadas anteriormente pelo vento.

Na imagem registrada em Ubatuba, o desenho observado pode resultar da combinação entre rajadas localizadas, chuva e diferenças momentâneas na rugosidade da água.

Um sinal observado por navegadores

Para marinheiros e velejadores, as “patas de gato” não são apenas uma curiosidade visual. Elas podem revelar por onde uma rajada está avançando e quais trechos da água já estão recebendo mais vento.

Em uma região com vento fraco ou variável, observar essas manchas pode ajudar o navegador a perceber mudanças na direção e na intensidade das rajadas antes que elas alcancem a embarcação.

Isso é especialmente útil para veleiros, que dependem diretamente do vento para se deslocar. Uma sequência de manchas avançando pela água pode indicar que uma rajada se aproxima e exigir ajuste das velas.

 

O fenômeno, sozinho, não representa tempestade

A presença das chamadas “patas de gato” não significa, isoladamente, que uma tempestade severa esteja se formando.

O fenômeno também pode ocorrer em dias de tempo estável, quando uma rajada fraca atravessa uma área de água calma.

Durante períodos de chuva, porém, ele pode aparecer associado à instabilidade atmosférica e às variações de vento produzidas nas proximidades das nuvens carregadas.

Por isso, pescadores, navegadores e responsáveis por embarcações devem observar não apenas as manchas na superfície, mas também o escurecimento do céu, a formação de nuvens, a ocorrência de trovões e as mudanças repentinas na direção do vento.

MANCHAS DE RUGOSIDADE NA SUPERFÍCIE DO MAR, CONHECIDAS COMO “PATAS DE GATO”, PROVOCADAS PELA AÇÃO IRREGULAR DO VENTO E DA CHUVA.
MANCHAS DE RUGOSIDADE NA SUPERFÍCIE DO MAR, CONHECIDAS COMO “PATAS DE GATO”, PROVOCADAS PELA AÇÃO IRREGULAR DO VENTO E DA CHUVA.

A aparência irregular não é maré vermelha, óleo, poluição ou alteração química da água.

Esses fenômenos podem produzir características diferentes, como mudança persistente de coloração, espuma, odor, mortandade de animais ou película com aparência oleosa e iridescente.

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Francisco Trevisan

Jornalista, MTB 0096161/SP, graduado em Comunicação Social pela Unitau e editor do UBA24. Atua na cobertura de Ubatuba e do Litoral Norte paulista.

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