14 de setembro de 2026
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Motorista da UBER reclama baixo preço pago pela empresa em Ubatuba

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Profissional afirma que valores não cobrem adequadamente os custos do veículo e defende a liberdade de ligar e desligar o aplicativo; denúncia de ação coletiva para elevar preços continua sem comprovação

 

Uma publicação feita por um motorista nas redes sociais acrescentou um elemento concreto à série de denúncias e reclamações envolvendo o transporte por aplicativo em Ubatuba. Pela primeira vez durante esta apuração, uma imagem mostra diretamente a marca Uber e uma oferta identificada como UberX dentro do aplicativo destinado aos profissionais.

O valor apresentado ao motorista era de R$ 15,09. A tela indicava aproximadamente R$ 1,13 por quilômetro e previa quatro minutos e 0,9 quilômetro até o embarque, no Umuarama, além de outros 16 minutos e 12,5 quilômetros até o destino, em Itamambuca.

Somando a aproximação e a viagem, o profissional teria de percorrer cerca de 13,4 quilômetros durante aproximadamente 20 minutos para receber o valor exibido, caso aceitasse e concluísse o deslocamento nas condições previstas.

A estimativa não considera eventual espera pelo passageiro, trânsito diferente do previsto, retorno sem ocupante, combustível, manutenção, pneus, seguro, impostos e depreciação do veículo.

Na publicação, o motorista escreveu: “É mais fácil julgar, jogar pedra, do que entender e ajudar. Só analisar a foto. Aí faço um desafio de uma semana”.

O texto não detalha as regras do desafio, mas utiliza a imagem para questionar a remuneração oferecida pela plataforma.

O novo registro permite relacionar especificamente essa reclamação sobre valor à Uber. Ele não comprova, porém, que os profissionais citados nas denúncias anteriores sejam cadastrados na empresa, não demonstra que o autor da postagem participe de qualquer grupo e não estabelece ligação entre a oferta de R$ 15,09, as ameaças relatadas ou uma possível tentativa de manipular a tarifa dinâmica.

 

O QUE O PRINT DO UBERX COMPROVA

O material mostra uma oferta do UberX, o valor de R$ 15,09, a estimativa de R$ 1,13 por quilômetro e os dados aproximados do deslocamento.

Também permite verificar que o motorista estava a 0,9 quilômetro do ponto de embarque e que a corrida teria outros 12,5 quilômetros até o destino.

A tela aparenta pertencer ao aplicativo utilizado pelos motoristas porque apresenta a opção para aceitar a solicitação. O valor, portanto, deve ser descrito como uma oferta exibida ao profissional, e não como o preço total cobrado do passageiro.

A imagem não mostra quanto o usuário pagaria, qual seria a taxa de serviço da plataforma nem se havia promoção, desconto ou preço dinâmico aplicado naquele momento.

Também não é possível calcular o ganho líquido apenas pelo print. Esse resultado depende do modelo do veículo, consumo de combustível, preço do litro, manutenção, impostos, seguro, depreciação, tempo sem passageiro e distância necessária para retornar de Itamambuca ou chegar a uma nova solicitação.

A imagem documenta uma reclamação real sobre remuneração e permite questionar a Uber sobre a formação do valor. Ela não demonstra, isoladamente, que a oferta contrariava as regras da plataforma ou que todos os motoristas recebem o mesmo valor em trajetos semelhantes.

 

MOTORISTA DA CIDADE DEFENDE AUTONOMIA E APONTA CUSTOS

Após a repercussão das denúncias, um motorista da Uber que atua em Ubatuba encaminhou à reportagem um posicionamento sobre as condições de trabalho da categoria.

Ele afirma que os profissionais são autônomos, não possuem obrigação de permanecer conectados e podem decidir em quais horários e por quais valores consideram viável trabalhar.

“Não temos obrigação de trabalhar ou manter o aplicativo ligado em nenhum momento, dado o fato de que somos autônomos, não temos vínculo empregatício e não batemos ponto para empresa nenhuma”, declarou.

O motorista argumenta que os profissionais não recebem automaticamente da plataforma direitos associados a um contrato formal de trabalho, como FGTS, 13º salário, férias remuneradas, seguro-desemprego e auxílio-alimentação.

Segundo ele, quando o motorista adoece ou fica impossibilitado de trabalhar, deixa de receber pelas corridas, mas continua responsável pelas despesas mensais.

O profissional relaciona entre os custos da atividade o combustível, financiamento ou parcela do veículo, IPVA, licenciamento, seguro, manutenção, pneus e reparos.

Ele afirma que os motoristas também permanecem expostos a acidentes, roubos, furtos, agressões e danos causados ao automóvel durante as viagens.

O motorista reclamou ainda de passageiros que entram molhados ou com areia depois de saírem da praia, crianças que pisam nos bancos e discussões quando o profissional se recusa a realizar o transporte em condições que possam danificar o interior do veículo.

“O motorista e o seu veículo não pertencem à Uber”, afirmou ao defender respeito, cordialidade e autonomia para aceitar ou rejeitar cada solicitação.

A manifestação apresenta o ponto de vista do profissional e ajuda a explicar a insatisfação com as ofertas recebidas. Entretanto, a liberdade individual de ficar desconectado não é o mesmo que uma eventual combinação entre concorrentes para todos rejeitarem corridas até que o preço dinâmico aumente.

Cada motorista pode decidir sozinho quando deseja trabalhar. O que permanece sob apuração é a denúncia de que profissionais estariam combinando previamente uma retirada coletiva e temporária, com o objetivo específico de reduzir a oferta disponível e influenciar o preço calculado pela plataforma.

 

AUSÊNCIA DE VÍNCULO NÃO SIGNIFICA AUSÊNCIA DE TODA PROTEÇÃO

A afirmação de que os motoristas não recebem benefícios trabalhistas precisa ser compreendida dentro do modelo de trabalho autônomo.

Sem contrato formal de emprego, direitos como FGTS, 13º salário, férias remuneradas e seguro-desemprego não são pagos automaticamente pela plataforma.

Isso não significa, porém, que o trabalhador autônomo esteja impedido de ter proteção previdenciária.

O INSS informa que profissionais sem carteira assinada podem contribuir como contribuintes individuais e, desde que mantenham os pagamentos e cumpram os requisitos, ter acesso a aposentadoria, salário-maternidade e benefícios por incapacidade temporária ou permanente.

Também não é exato afirmar que não exista qualquer cobertura durante uma viagem realizada pela Uber.

Segundo a página oficial da empresa, as corridas intermediadas pela plataforma possuem seguro de Acidentes Pessoais de Passageiros, o APP.

A cobertura vale para o motorista desde o momento em que ele aceita a solicitação e começa a se deslocar para buscar o usuário até o encerramento da corrida.

A Uber informa cobertura de R$ 100 mil para morte acidental, até R$ 100 mil para invalidez permanente total ou parcial e até R$ 15 mil para despesas médicas, hospitalares e odontológicas, conforme as condições da apólice.

Esse seguro não significa pagamento de salário durante o período sem trabalhar nem cobertura automática dos danos materiais sofridos pelo automóvel.

O custo do conserto do veículo dependerá do seguro particular contratado, das circunstâncias do acidente e da responsabilização de cada envolvido.

 

COMPARAÇÃO COM O TRANSPORTE PÚBLICO

Para exemplificar o que considera uma remuneração insuficiente, o motorista citou uma suposta oferta de R$ 15 para uma viagem entre a Praia Grande e o Sumidouro.

Ele argumentou que quatro passageiros precisariam utilizar dois ônibus para fazer o mesmo deslocamento: um até o Centro e outro até a entrada do Sumidouro.

No cálculo apresentado pelo profissional, oito embarques a R$ 5 resultariam em R$ 40.

A tarifa pública informada atualmente pela concessionária do transporte coletivo de Ubatuba é de R$ 5 por passageiro. A comparação de R$ 40, entretanto, não se aplica a todas as situações.

A Lei Municipal nº 3.836/2015 estabelece que o portador do Bilhete Único pode realizar transferência entre as linhas regulamentadas sem acréscimo tarifário.

Nessa condição, quatro passageiros com cartões válidos pagariam uma tarifa cada, totalizando R$ 20, e não R$ 40.

O valor poderá ser diferente para quem não utilizar o cartão ou não atender às regras da integração.

A comparação também não considera as diferenças entre os serviços. O ônibus possui horários e itinerários definidos, transporta dezenas de passageiros e pode exigir baldeação e caminhada. O carro de aplicativo realiza um atendimento individualizado e deixa o usuário mais próximo do destino.

Mesmo com essa correção, permanece válida a discussão levantada pelo motorista sobre a diferença entre o preço apresentado ao passageiro, o montante oferecido ao profissional e os custos necessários para manter o carro em circulação.

 

COMENTÁRIOS MOSTRAM DIVISÃO SOBRE A PRÁTICA

A discussão provocou reações divergentes nas redes sociais.

Em um dos comentários, um usuário afirmou: “Caramba, mas quem está achando ruim, para de trabalhar de Uber”.

Outro participante respondeu que a reclamação não seria apenas sobre trabalhar ou deixar de trabalhar, mas sobre a denúncia de que veículos se reuniriam em determinado ponto, rejeitariam todas as corridas disponíveis e aguardariam a elevação do preço dinâmico para voltar a aceitar chamadas.

“Não está reclamando de trabalhar. Está reclamando de que os carros se reúnem em determinado ponto, rejeitam todas as corridas, o dinâmico vai lá em cima e aí começam a rodar”, escreveu.

Esse mesmo usuário afirmou que não concorda com a prática, mas disse compreender a revolta diante dos gastos com manutenção de veículos em Ubatuba.

“Não concordo com a prática, mas não condeno”, declarou antes de mencionar os valores que, segundo ele, são cobrados por oficinas da cidade.

Os comentários demonstram a divisão existente entre usuários e profissionais, mas não comprovam que as rejeições coletivas ocorreram.

Assim como as fotografias da reunião, eles registram opiniões e acusações que ainda dependem de dados técnicos, mensagens de coordenação ou outros elementos independentes.

 

UBER FOI NOVAMENTE PROCURADA

O UBA24 encaminhou um novo pedido de posicionamento à Uber.

A empresa foi questionada sobre a autenticidade e a compatibilidade do valor exibido, a fórmula utilizada para calcular o repasse, reclamações de motoristas no Litoral Norte, mecanismos de identificação de corridas falsas e eventual monitoramento de ações destinadas a interferir no preço dinâmico.

A reportagem também perguntou quais providências são adotadas diante de ameaças, perseguições, coação e tentativas de impedir informalmente que profissionais de outras cidades aceitem viagens em Ubatuba.

No primeiro contato, relacionado ao motorista de Caraguatatuba que relatou ter sido ameaçado, a assessoria da Uber respondeu, em 23 de agosto, que não havia informações suficientes para verificar se o profissional mencionado era cadastrado na plataforma.

“Não foi possível verificar o caso relatado porque, até o momento, não foram fornecidas à empresa informações suficientes para checar se o motorista mencionado é cadastrado no aplicativo da Uber e, consequentemente, emitir posicionamento sobre as medidas adotadas”, informou a empresa.

A assessoria também afirmou que o nome Uber é utilizado popularmente como sinônimo de toda a categoria e pediu que fossem adotados termos genéricos, como “motorista de aplicativo”, quando não existisse confirmação do vínculo.

O cenário agora é diferente apenas em relação à nova reclamação sobre remuneração: a oferta fotografada traz expressamente as identificações UberX e Uber.

Isso não permite transferir automaticamente a marca para os outros episódios ainda sem confirmação individual.

Até o fechamento desta atualização, a Uber não havia respondido aos novos questionamentos. A reportagem será atualizada novamente caso a empresa se manifeste.

 

EX-MOTORISTA RELATA DESLIGAMENTO COLETIVO

Em outra frente da apuração, o UBA24 recebeu no sábado (29) imagens de vários motoristas de aplicativo reunidos em uma rua do Centro de Ubatuba.

No mesmo dia, um ex-profissional do setor relatou à reportagem a existência de uma suposta ação coordenada para interferir no preço das viagens cobradas dos passageiros.

Segundo a fonte, um grupo se reuniria, ficaria indisponível nos aplicativos ao mesmo tempo e aguardaria o aumento do preço dinâmico.

Com menos carros aparecendo como disponíveis e passageiros continuando a solicitar viagens, o sistema poderia identificar uma situação temporária de escassez.

Depois da elevação do valor, os participantes voltariam a ficar disponíveis e receberiam chamadas mais caras.

Ao explicar como a suposta operação funcionaria, a fonte afirmou:

“Então cara, os cara param, todo mundo junto e todo mundo desliga o aplicativo, entendeu? Aí a galera começa a demanda, começa um monte de gente pedir, tem pouca oferta de carro, aí o preço começa a subir. Quando o preço sobe, eles vão e ligam o aparelho, liga o aplicativo de novo. Aí a corrida que era de 10 conto, 5 reais, já foi pra 18, 25, entendeu? Geralmente é isso que eles fazem.”

A declaração descreve uma possível redução artificial da oferta. Os motoristas não combinariam diretamente um valor para a viagem, mas tentariam provocar o mecanismo automático que calcula os preços.

Na prática narrada pela fonte, uma corrida inicialmente estimada entre R$ 5 e R$ 10 poderia aparecer, minutos depois, por R$ 18 ou R$ 25.

Esses valores integram o depoimento e não foram confirmados por recibos, capturas de tela ou outros registros independentes.

O relato apresenta um método específico, uma sequência de ações e um resultado esperado. Ainda assim, o depoimento de uma única fonte não é suficiente para identificar participantes nem para concluir que a prática ocorre de forma organizada na cidade.

Também não é possível saber, sem registros comparativos do mesmo local e horário, se a desconexão simultânea de um grupo teria escala suficiente para alterar os preços, durante quanto tempo a elevação permaneceria ativa ou se o efeito ficaria restrito a poucas ruas.

 

COMO FUNCIONA O PREÇO DINÂMICO

O preço dinâmico é um mecanismo utilizado pelos aplicativos para equilibrar a procura por viagens e a quantidade de motoristas disponíveis em cada região.

De acordo com a explicação oficial da Uber, ele é ativado automaticamente quando o número de usuários solicitando viagens supera o de motoristas disponíveis em determinada área.

A empresa afirma que as informações são atualizadas constantemente e que o ajuste pode ocorrer apenas em regiões específicas da cidade.

Chuva, trânsito intenso, horários de entrada e saída do trabalho, eventos, feriados e o encerramento simultâneo de atividades podem gerar aumentos naturais.

Em uma cidade turística como Ubatuba, a concentração de pedidos na saída das praias, no Centro, na rodoviária ou após eventos também pode alterar rapidamente a relação entre passageiros e carros.

O sistema busca incentivar novos motoristas a se conectar ou a se deslocar até uma área com muitas solicitações. Com a chegada de mais carros ou a redução dos pedidos, a tendência é de que o valor retorne aos níveis habituais.

A denúncia recebida pelo UBA24 apresenta uma hipótese diferente. Em vez de responder a uma escassez espontânea, um grupo tentaria criar artificialmente o sinal que o algoritmo interpreta como falta de veículos.

Como a própria Uber reconhece que a disponibilidade de motoristas é um dos pilares do cálculo, uma desconexão coletiva poderia, em tese, alterar esse equilíbrio.

Somente os registros internos da plataforma, contudo, poderiam demonstrar se isso ocorreu, se houve efeito sobre os preços e quais contas estavam envolvidas.

 

O QUE AS IMAGENS MOSTRAM — E O QUE NÃO MOSTRAM

As imagens recebidas pelo UBA24 mostram motoristas reunidos em uma rua do Centro. Essa é a informação visual disponível.

Não existe irregularidade automática no fato de profissionais conversarem, aguardarem chamadas no mesmo lugar ou trocarem informações sobre trânsito, segurança e condições de trabalho.

As imagens não revelam se os aplicativos estavam ligados ou desligados. Também não permitem verificar o horário exato de cada desconexão, o preço exibido aos passageiros ou a existência de uma orientação comum.

Por isso, a fotografia de um grupo não pode ser usada isoladamente para acusar todos os presentes de manipulação, cartel ou participação em uma organização criminosa.

Para relacionar aquela reunião à suposta manobra seriam necessários outros elementos: mensagens ou áudios com instruções, gravações, testemunhos independentes, capturas de tela feitas antes e depois, recibos de viagens e registros que permitissem comparar a disponibilidade de carros com a variação dos preços.

 

AGOSTO FOI MARCADO POR AMEAÇAS E DISPUTA POR MERCADO

A nova denúncia marca o encerramento de um mês de tensão entre parte dos motoristas que atuam em Ubatuba.

No dia 13 de agosto, um profissional de Caraguatatuba registrou boletim de ocorrência depois de afirmar que foi atraído por uma solicitação de corrida e cercado por três veículos nas proximidades da Rua Liberdade com a Avenida Rio Grande do Sul.

Segundo o documento, os envolvidos questionaram a presença de motoristas de outras cidades e teriam determinado que o profissional deixasse de trabalhar em Ubatuba. A ocorrência foi registrada como ameaça.

O motorista relatou ainda ter sido seguido até as proximidades da Praia Grande. Os autores não haviam sido identificados quando o UBA24 públicou o caso, no dia 24.

No dia 19, o mesmo profissional afirmou ter enfrentado um segundo cerco, desta vez com aproximadamente 30 pessoas, na região do Perequê-Açu.

Conforme o depoimento dele, integrantes do grupo fotografaram a placa do veículo e informações exibidas em seu perfil no aplicativo.

O denúnciante também mencionou corridas falsas, utilização de mais de uma conta por alguns profissionais e um grupo fechado de comunicação com centenas de participantes.

Todas essas alegações continuam sem comprovação pública e precisam ser verificadas pelas autoridades.

Na reportagem anterior, a expressão “máfia dos aplicativos” apareceu entre aspas para reproduzir a gravidade da denúncia apresentada pelo motorista.

O termo não representa conclusão da Polícia Civil, do Ministério Público, do Cade ou do próprio UBA24.

O novo depoimento sobre o preço dinâmico não comprova automaticamente ligação entre os episódios.

É possível que os fatos tenham participantes diferentes ou sequer integrem uma ação comum. A existência de coordenação entre ameaças, corridas falsas e tentativa de elevação de preços dependerá de provas.

 

PROJETO NA CÂMARA PRETENDE IMPEDIR MOTORISTAS DE FORA

Enquanto as denúncias chegaram à polícia e à imprensa, a Câmara Municipal passou agosto discutindo o Projeto de Lei Legislativo nº 6/2026, de autoria do vereador Pastor Sandro Anderle.

O texto pretende exigir que o motorista comprove residência em Ubatuba há mais de seis meses para trabalhar por aplicativos no município.

A Procuradoria Legislativa considerou essa exigência materialmente inconstitucional por criar uma reserva de mercado e contrariar o livre exercício profissional e a livre concorrência.

O projeto chegou ao plenário nos dias 11, 18 e 25 de agosto, mas recebeu pedidos de adiamento nas três ocasiões. Na última sessão, o próprio autor solicitou que a análise fosse suspensa por mais três sessões.

Cerca de 40 motoristas acompanharam a reunião do dia 25 e exibiram cartazes.

A presença na Câmara e a participação em uma manifestação pública não relacionam esses profissionais às ameaças investigadas nem à denúncia sobre o preço dinâmico.

Pastor Sandro afirmou possuir reclamações e denúncias de passageiros que deverão ser apresentadas quando o projeto for votado.

Vereadores também defenderam uma nova audiência pública para ouvir motoristas, usuários e representantes das plataformas. O histórico da proposta e os pareceres foram detalhados pelo UBA24.

Até agora, não há elemento que relacione o autor, os demais vereadores ou a tramitação do projeto aos cercos, às ameaças ou à suposta combinação destinada a elevar preços.

Em sua central de ajuda, a Uber informa que o motorista não precisa alterar a cidade do cadastro para dirigir em outro município do mesmo país onde a plataforma opere.

Isso não dispensa o cumprimento da legislação e dos requisitos locais, mas mostra que a empresa não estabelece uma exclusividade informal para profissionais residentes em Ubatuba.

 

RESTRIÇÃO COMBINADA DA OFERTA PODE SER INVESTIGADA

O Conselho Administrativo de Defesa Econômica, o Cade, define cartel como acordo ou prática concertada entre concorrentes para fixar preços, dividir mercados, estabelecer quotas ou restringir produção e oferta.

A hipótese relatada ao UBA24 não descreve uma tabela de preços combinada diretamente pelos motoristas. Ela trata de uma possível restrição coletiva da oferta para tentar influenciar o valor calculado pelos aplicativos.

Se comprovada, a conduta poderá ser analisada pelas autoridades competentes, conforme as circunstâncias e o alcance da ação.

O próprio Cade ressalta que preços semelhantes, comportamentos paralelos ou reuniões entre concorrentes não bastam para comprovar cartel.

A apuração precisa encontrar provas da coordenação, como mensagens, registros de contatos, gravações, documentos e dados econômicos compatíveis com o acordo denúnciado.

Também não há, neste momento, base para afirmar que exista associação criminosa ou organização criminosa formada por motoristas de aplicativo em Ubatuba.

Expressões como “máfia” e “quadrilha” não podem ser adotadas como conclusão jornalística ou jurídica sem investigação capaz de demonstrar quem participou, qual era a estrutura, como as tarefas eram divididas e quais infrações teriam sido praticadas.

 

A MARCA UBER APARECE, MAS AS QUESTÕES CONTINUAM SEPARADAS

O aparecimento da marca Uber no novo material altera uma parte da apuração, mas não todas.

Agora existe comprovação visual de que uma reclamação sobre remuneração se refere a uma oferta do UberX.

Continuam sem comprovação pública, porém, a participação da plataforma nos episódios de ameaça, a identidade dos supostos envolvidos na retirada coletiva e a ocorrência efetiva de manipulação do preço dinâmico.

Também são assuntos diferentes a discussão sobre o valor oferecido pela empresa e as acusações de coação entre motoristas.

A insatisfação com uma oferta de R$ 15,09 pode explicar o descontentamento profissional, mas não autoriza ameaças, perseguições, corridas falsas ou bloqueios informais.

Da mesma forma, uma oferta considerada baixa não prova que determinado motorista tenha participado dessas condutas.

O UBA24 continuará acompanhando o caso e atualizará esta reportagem caso receba informações das autoridades, novas provas apresentadas por passageiros e motoristas ou o posicionamento da Uber.

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Francisco Trevisan

Jornalista, MTB 0096161/SP, graduado em Comunicação Social pela Unitau e editor do UBA24. Atua na cobertura de Ubatuba e do Litoral Norte paulista.

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