
Moradores da Rua Anita de Ubatuba colocam faixa pedindo socorro para a prefeita
Via acumula reclamações, pedidos oficiais e histórico de repercussão nacional; no Carnaval, pneu do veículo da reportagem foi rasgado por uma ferragem exposta
Uma faixa instalada na Rua Anita, em Ubatuba, transforma em pedido público de socorro uma reclamação antiga dos moradores: a falta de manutenção de uma das ligações entre o Itaguá, o Tenório e a Praia Vermelha do Centro.
A faixa foi encontrada pelo UBA24 nesta segunda-feira, 31 de agosto, durante uma caminhada pelo Itaguá. O apelo exposto na via chama novamente a atenção para as condições de circulação em uma rua íngreme, utilizada por moradores, visitantes, pedestres, ciclistas, motociclistas e motoristas.
Além das irregularidades no piso, o trecho apresenta valetas que obrigam os condutores a reduzir drasticamente a velocidade e escolher com cuidado o ponto de passagem.
Durante o Carnaval de 2026, o próprio veículo utilizado pela reportagem teve um pneu rasgado ao subir por uma dessas valetas. Ao tentar vencer o desnível, o pneu encostou em uma ferragem exposta, sofreu uma deformação e precisou ser substituído.
O prejuízo ultrapassou R$ 850.
O episódio não foi apenas um transtorno particular. Ele exemplifica o tipo de risco enfrentado diariamente por quem depende da rua, especialmente durante a noite, sob chuva ou quando dois veículos precisam dividir os trechos mais estreitos.
Uma ligação importante entre bairros
A Rua Anita passa pelo morro localizado entre o Itaguá, o Tenório e a Praia Vermelha do Centro. Além de atender aos imóveis existentes ao longo do percurso, a via funciona como alternativa para o deslocamento entre esses bairros.
Durante fins de semana, feriados, Carnaval e alta temporada, a importância da passagem aumenta. Quando a Avenida Franklin de Toledo Piza fica congestionada, moradores recorrem à Rua Anita para entrar ou sair da região.
A situação também desperta preocupação em relação ao acesso de ambulâncias, viaturas, caminhões de coleta, veículos de entrega e equipes de emergência.
Em uma rua com trechos íngremes, valetas, vegetação nas margens e pontos estreitos, a ausência de manutenção pode dificultar a passagem de veículos maiores. A queda de uma árvore ou outro bloqueio também pode reduzir as alternativas de acesso aos bairros atendidos pela via.
Reclamações se acumulam desde 2023
O pedido registrado na faixa não é o primeiro movimento dos moradores.
Segundo relatos já divulgados pela imprensa local, um abaixo-assinado foi entregue à Prefeitura de Ubatuba em fevereiro de 2023, solicitando melhorias na Rua Anita.
Moradores também afirmaram que, diante da demora do poder público, chegaram a custear serviços emergenciais de limpeza e pequenos reparos com recursos próprios.
As reclamações continuaram nos anos seguintes e envolvem as condições da pavimentação, as valetas, o avanço da vegetação e a falta de conservação periódica.
O assunto chegou oficialmente à Câmara Municipal. Em janeiro de 2026, a Indicação nº 58/2026 solicitou ao Poder Executivo manutenção viária e reparo emergencial na Rua Anita, especialmente no cruzamento com a Avenida Franklin de Toledo Piza.
O sistema público da Câmara registra a indicação como respondida. Entretanto, as condições encontradas na rua e o novo pedido feito pelos moradores demonstram que a demanda não foi considerada solucionada pela comunidade.
Mais recentemente, em 7 de agosto, a Câmara registrou a Indicação nº 200/2026, novamente solicitando à Prefeitura serviços de manutenção e melhorias na Rua Anita.
Em menos de oito meses, portanto, ao menos dois pedidos formais relacionados à mesma via foram apresentados ao Executivo municipal.
Região já apareceu no CQC
A ligação entre o Itaguá e a Praia Vermelha do Centro também possui um histórico de repercussão nacional.
Em 2010, o programa Custe o Que Custar, o CQC, exibido pela Band, enviou a Ubatuba o quadro “Proteste Já” para mostrar um muro construído em uma passagem utilizada pela população.
Naquela ocasião, o problema não eram os buracos ou as valetas encontrados atualmente. A reportagem tratava de uma estrutura que bloqueava uma das ligações entre o Itaguá e a Praia Vermelha do Centro.
O muro impedia a passagem de moradores e dificultava o trânsito de veículos, incluindo viaturas, caminhões de entrega, coleta de lixo e serviços postais. O caso ganhou repercussão por envolver uma passagem considerada de uso público e uma disputa judicial sobre a permanência da estrutura.
A Prefeitura informou, na época, que havia cancelado a autorização para a construção. Entretanto, uma decisão liminar manteve temporariamente o muro no local.
Após a revogação da liminar pela Justiça, a estrutura foi demolida pela administração municipal no fim de outubro de 2010, restabelecendo a passagem.
Mais de 15 anos depois, a região volta a chamar atenção. Desta vez, a cobrança não é pela retirada de uma barreira física, mas pela conservação da rua e pela segurança de quem utiliza a ligação.
Faixa leva reclamação para quem passa pelo local
A instalação da faixa mostra que os moradores decidiram tornar visível uma reivindicação que já passou por abaixo-assinado, reportagens e indicações legislativas.
O pedido de socorro permanece exposto para quem circula pela Rua Anita e também serve como cobrança direta ao poder público.
A presença da faixa, porém, não esclarece se a Prefeitura já realizou uma vistoria recente, se existe projeto para recuperação da via, qual tipo de intervenção seria tecnicamente adequado nem se há recursos reservados para o serviço.
Prefeitura é procurada
O UBA24 entrou em contato com a Prefeitura de Ubatuba para saber se a administração municipal tem conhecimento da faixa instalada e das novas reclamações dos moradores.
A reportagem também questionou:
- se alguma vistoria recente foi realizada na Rua Anita;
- se existe previsão para manutenção emergencial da via;
- se serão retiradas ou protegidas as ferragens que possam oferecer risco aos veículos;
- se as valetas e o sistema de drenagem passarão por correções;
- se existe projeto de recuperação integral da rua;
- quais respostas foram encaminhadas às indicações apresentadas pela Câmara em 2026;
- e qual o prazo estimado para o início dos serviços.
Até a publicação desta reportagem, não havia retorno. O espaço permanece aberto e a matéria será atualizada assim que a Prefeitura encaminhar seu posicionamento.