
Antes da torre e do relógio: IA devolve cores à Matriz de Ubatuba em registro de 1888
Restauração digital realizada em 2026 recupera detalhes da antiga paisagem da cidade; cores são uma interpretação baseada na aparência atual da igreja
Ubatuba, 1888. A atual Igreja Matriz já dominava a paisagem central da cidade, mas ainda não possuía a torre que, anos depois, receberia os sinos e o relógio. Diante da fachada, moradores posavam para uma fotografia que atravessaria mais de um século e chegaria a 2026 com a ajuda de uma tecnologia que aquelas pessoas jamais poderiam imaginar.
O registro histórico, originalmente em preto e branco e com pouca definição, foi restaurado e colorizado com o auxílio de inteligência artificial. A nova versão recupera contornos da construção, pessoas, vegetação e elementos da paisagem. As cores aplicadas à fachada foram inspiradas na aparência atual da Matriz, com predominância de tons claros, detalhes azuis e acabamentos em tonalidade próxima ao dourado.
O resultado aproxima o leitor da Ubatuba do século XIX, mas exige uma ressalva fundamental: a colorização é uma reconstrução tecnológica e artística. Ela não comprova quais eram as cores exatas da igreja em 1888.
A igreja antes da torre
A construção retratada é a segunda Igreja Matriz de Ubatuba. A primeira, dedicada a Nossa Senhora da Conceição, ficava nas proximidades do atual cruzamento das ruas Conceição e Salvador Corrêa, segundo o registro histórico da Prefeitura de Ubatuba.
Documentos indicam que, em 1835, as obras da nova igreja ainda estavam no início e apenas a capela-mor havia sido construída. A fachada teria sido concluída em 1866, permitindo que o templo fosse utilizado mesmo sem estar completamente terminado.
A fotografia identificada como sendo de 1888 registra justamente esse período de transformação. A fachada principal já estava erguida, mas a torre ainda não aparece. No lugar da estrutura vertical conhecida atualmente, havia apenas o corpo central da igreja, o frontão e as laterais da construção.
A cronologia da torre apresenta diferenças entre os registros históricos. Informações reunidas no processo de preservação do patrimônio apontam relatos orais que situam sua construção entre 1885 e 1890. Outra referência histórica registra que, em 1890, Francisco dos Passos foi contratado para construir uma torre destinada aos sinos e ao relógio.
A imagem de 1888, caso sua datação esteja correta, reforça que a torre ainda não havia sido concluída naquele momento. A obra provavelmente ocorreu nos anos seguintes, mais próxima de 1890.
Apenas uma das torres previstas foi construída. A segunda nunca foi concluída, deixando a fachada com o formato assimétrico que se tornou uma das características mais conhecidas da Matriz de Ubatuba.
A Igreja Matriz passou por diferentes intervenções ao longo de sua história. Em 1980, uma grande restauração foi conduzida por Frei Angélico Manenti, com serviços na estrutura de madeira, corredores, revestimentos externos, pintura e outras áreas do templo.
Entre 2021 e 2022, a fachada voltou a passar por uma revitalização, com recuperação da torre, substituição de partes do revestimento, manutenção de telhas, molduras, portas, janelas e nova pintura. Também foram realizados trabalhos internos.
Em 2018, a Igreja Matriz e o Cruzeiro de Ubatuba foram oficialmente tombados pelo Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Arqueológico, Artístico e Turístico do Estado de São Paulo. A proteção foi formalizada pela Resolução nº 104, de 7 de novembro daquele ano, conforme o registro oficial da Secretaria da Cultura do Estado.
