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Praias

Lázaro, Enseada e outras praias de Ubatuba têm pontos impróprios para banho

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Cetesb reprova 11 dos 35 locais avaliados no município; chuva pode elevar a contaminação mesmo em praias anteriormente classificadas como próprias

 

Quase um terço dos pontos monitorados pela Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb) em Ubatuba está impróprio para banho. A classificação atualizada nesta quinta-feira (17) reprova 11 dos 35 locais avaliados no município.

Os pontos impróprios estão distribuídos por dez praias. A diferença nos números ocorre porque o Itaguá possui dois locais de coleta e ambos receberam classificação negativa.

Dos 35 pontos acompanhados pela Cetesb em Ubatuba, 24 estão próprios e 11 impróprios. Isso significa que 31,4% dos locais monitorados foram reprovados nesta atualização.

A bandeira vermelha indica que o banhista deve evitar entrar na água naquele trecho. A recomendação também vale para atividades como surfe, natação, mergulho e outras práticas nas quais exista contato direto e prolongado com o mar.

Praia do Lázaro Ubatuba – Francisco Trevisan

Pontos impróprios em Ubatuba

  • Rio Itamambuca;
  • Iperoig;
  • Itaguá — dois pontos de monitoramento;
  • Enseada;
  • Santa Rita;
  • Perequê-Mirim;
  • Lázaro;
  • Dura;
  • Sapê;
  • Maranduba.

A próxima atualização do boletim está prevista para 24 de setembro.

SOL UBATUBA ENSEADA - FRANCISCO TREVISAN
SOL UBATUBA ENSEADA – FRANCISCO TREVISAN

Por que a lista apresenta 11 pontos e dez praias?

A Cetesb avalia locais específicos de coleta, e não necessariamente toda a extensão de uma praia. Algumas praias possuem mais de um ponto de monitoramento por causa do tamanho da orla, da concentração de banhistas ou das características locais.

No boletim desta semana, o Itaguá aparece duas vezes porque possui dois pontos monitorados. Os dois foram classificados como impróprios.

A reprovação de um ponto não permite afirmar automaticamente que toda a praia apresenta a mesma condição. Entretanto, o banhista deve evitar principalmente o trecho sinalizado com bandeira vermelha e as áreas próximas de rios, córregos, canais, valas e saídas de drenagem.

O que significa uma praia imprópria?

A classificação imprópria indica que a água não apresenta, naquele momento, condições recomendadas para atividades de contato direto e prolongado.

Isso não significa que todas as pessoas que entrarem no mar ficarão doentes. Significa que as análises identificaram uma condição que aumenta o risco de exposição a microrganismos ou substâncias capazes de prejudicar a saúde.

Também é importante diferenciar classificação imprópria de interdição. Uma bandeira vermelha representa recomendação para que o banho seja evitado. A interdição é uma medida mais restritiva, adotada formalmente quando o órgão ambiental identifica uma situação que justifique impedir o uso daquele trecho.

Como a água é analisada?

A balneabilidade representa a qualidade da água destinada à recreação de contato primário. Isso inclui situações nas quais a pessoa mantém contato direto com a água e pode engolir parte dela, como banho de mar, natação, mergulho e surfe.

Nas praias marítimas, um dos principais indicadores utilizados é a concentração de enterococos. Essas bactérias estão associadas à contaminação fecal e são utilizadas para avaliar a possibilidade de presença de esgoto e de outros microrganismos na água.

Os enterococos não representam, sozinhos, todas as ameaças existentes. Eles funcionam como indicadores: quando aparecem acima dos limites estabelecidos, sinalizam que a água pode conter bactérias, vírus, protozoários e outros agentes capazes de causar doenças.

Quais são os critérios?

A classificação considera os resultados das amostras coletadas durante cinco semanas consecutivas no mesmo ponto.

Conforme a metodologia da Cetesb e a Resolução nº 274/2000 do Conselho Nacional do Meio Ambiente, um ponto de praia pode ser classificado como impróprio quando:

  • duas ou mais amostras das últimas cinco semanas apresentam mais de 100 unidades formadoras de colônias de enterococos em cada 100 mililitros de água;
  • a amostra mais recente apresenta resultado superior a 400 unidades formadoras de colônias de enterococos por 100 mililitros;
  • ocorre extravasamento de esgoto;
  • há presença de resíduos, óleo, graxa ou outras substâncias capazes de oferecer risco à saúde;
  • existe proliferação de algas ou de outros organismos potencialmente nocivos;
  • autoridades sanitárias identificam ocorrência elevada de doenças transmitidas pela água;
  • outros fatores ambientais tornam desaconselhável o contato direto com a água.

O mapa atual informa quais pontos foram classificados como impróprios, mas não apresenta uma causa individual para cada reprovação. Portanto, não é possível afirmar apenas com base no boletim se determinado local foi afetado pela chuva, por lançamento de esgoto ou por outra fonte de contaminação.

Por que não se deve entrar na água?

O contato com água contaminada pode ocorrer pela boca, pelos olhos, pelos ouvidos, pelas mucosas ou por cortes e ferimentos existentes na pele.

Durante o banho de mar, mesmo quem não pretende mergulhar pode engolir pequenas quantidades de água. No surfe, na natação e em outras atividades aquáticas, a exposição pode ser ainda maior devido ao tempo de permanência no mar.

A água também pode entrar nos olhos e ouvidos ou alcançar machucados, aumentando a possibilidade de irritações e infecções.

A aparência do mar não é suficiente para indicar segurança. Uma água transparente, sem resíduos visíveis, espuma ou mau cheiro ainda pode apresentar contaminação microbiológica. Da mesma forma, uma praia limpa na areia não é necessariamente própria para banho.

Quais doenças podem ocorrer?

A gastroenterite é a doença mais frequentemente associada ao contato com água contaminada por esgoto. Entre os sintomas estão:

  • diarreia;
  • náusea;
  • vômito;
  • dor abdominal;
  • dor de cabeça;
  • febre.

Também podem ocorrer irritações e infecções na pele, nos olhos, nos ouvidos, no nariz e na garganta.

Em locais com contaminação elevada, a exposição a microrganismos de origem fecal pode estar associada a doenças mais graves, como disenteria, hepatite A, cólera e febre tifoide. Esses quadros são menos comuns, mas integram os riscos relacionados ao contato com água fortemente contaminada.

Crianças, idosos, pessoas com baixa imunidade e banhistas com cortes ou ferimentos na pele são mais vulneráveis. Crianças também costumam permanecer por mais tempo em águas rasas e podem engolir água com maior facilidade.

Quem apresentar sintomas intensos ou persistentes após o banho deve procurar atendimento médico, principalmente quando houver febre, vômitos repetidos, diarreia forte ou sinais de desidratação.

Qual é a relação entre chuva e contaminação?

A chuva pode provocar uma mudança rápida na qualidade da água do mar.

Quando chove, a água escoa por ruas, calçadas, terrenos, estacionamentos e áreas urbanizadas antes de alcançar galerias pluviais, rios, córregos e canais. Durante esse percurso, pode carregar lixo, fezes de animais, óleo, sedimentos e outros contaminantes acumulados no solo.

Também podem existir ligações clandestinas de esgoto na rede de águas pluviais, vazamentos ou extravasamentos provocados pela sobrecarga do sistema. Parte desse material acaba sendo conduzida para rios e canais que desembocam diretamente nas praias.

Por isso, a contaminação tende a ser maior perto de cursos d’água, valas, canais e saídas de drenagem, especialmente depois de chuva forte.

A recomendação geral é evitar o banho durante a chuva e nas 24 horas seguintes a episódios de precipitação intensa. Esse cuidado deve ser adotado até mesmo em pontos que estavam com bandeira verde na última atualização.

A bandeira verde não representa garantia absoluta após uma tempestade. O boletim mostra a condição identificada no momento da coleta, mas a qualidade da água pode mudar antes da divulgação de uma nova análise.

Praia do Itaguá Ubatuba com bandeira verde própria banho Cetesb - Francisco Trevisan
Praia do Itaguá Ubatuba com bandeira verde própria banho Cetesb – Francisco Trevisan

Rios e canais exigem atenção permanente

Entrar no mar próximo à foz de um rio ou de um canal pode aumentar a exposição à água contaminada, principalmente depois de chuva.

O cuidado também deve ser mantido quando a água do rio aparenta estar limpa. Contaminações microbiológicas não são identificadas apenas pela cor ou pelo cheiro.

Pais e responsáveis devem impedir que crianças brinquem em córregos, canais, valas, poças ou na água escura que chega à praia pelas saídas de drenagem. Esses locais podem concentrar poluentes e esgoto.

Como reduzir os riscos

  • Respeitar as bandeiras vermelhas instaladas nos pontos monitorados;
  • consultar a classificação mais recente antes de entrar no mar;
  • evitar o banho durante e após chuva forte;
  • não entrar na água perto de rios, córregos, canais, valas e saídas de drenagem;
  • não permitir que crianças brinquem em água acumulada ou em desembocaduras;
  • evitar o banho quando houver resíduos, óleo, espuma anormal, mau cheiro ou sinais de despejo de esgoto;
  • redobrar os cuidados com crianças, idosos, pessoas com baixa imunidade e pessoas com ferimentos;
  • procurar atendimento médico caso apareçam sintomas após a exposição.

Quando a praia volta a ficar própria?

Um ponto não volta a ser considerado próprio apenas porque parou de chover ou porque a água parece limpa. A mudança depende dos resultados das novas análises realizadas pelo órgão ambiental.

Como a avaliação considera uma série de cinco semanas e também o resultado da amostra mais recente, um ponto pode permanecer impróprio mesmo depois de alguns dias sem chuva. Da mesma forma, as condições podem piorar rapidamente entre duas atualizações.

Os banhistas devem acompanhar o Mapa de Qualidade das Praias da Cetesb e observar a sinalização existente na orla.

Em Ubatuba, a próxima atualização está prevista para quinta-feira, 24 de setembro.

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Francisco Trevisan

Jornalista, MTB 0096161/SP, graduado em Comunicação Social pela Unitau e editor do UBA24. Atua na cobertura de Ubatuba e do Litoral Norte paulista.

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