
Menopausa: Estado cita capacitação, mas não apresenta dados de atendimento no Litoral Norte
Secretaria da Mulher informa que os dados estão com a Saúde; Prefeitura de Ubatuba ainda não respondeu nem informou prazo para manifestação
A Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo respondeu aos questionamentos do UBA24 sobre o atendimento às mulheres no climatério e na menopausa. A pasta informou que realizou seminários para profissionais de saúde e afirmou que as diretrizes da política estadual devem orientar o atendimento integral pela Atenção Primária à Saúde.
A resposta, porém, não apresentou os números solicitados sobre atendimentos, exames, medicamentos e demanda reprimida, nem detalhou os serviços disponíveis às mulheres de Ubatuba e das demais cidades do Litoral Norte.
A Prefeitura de Ubatuba ainda não respondeu às perguntas encaminhadas pela reportagem e não informou previsão de retorno. Caso envie manifestação, a matéria será atualizada novamente.
O que respondeu a Secretaria da Saúde
Segundo a SES-SP, a publicação da Lei Estadual nº 18.074, de 27 de dezembro de 2024, estabeleceu diretrizes e objetivos que devem ser observados para garantir atendimento integral às mulheres pela Atenção Primária à Saúde em todas as regiões do estado.
A pasta também informou ter realizado seminários educacionais sobre o tema, abordando diferentes perspectivas com profissionais de saúde de todo o território paulista. Conforme a secretaria, o objetivo foi aprimorar e qualificar o atendimento à população feminina.
A manifestação não especificou quantos seminários foram promovidos, quando ocorreram, quantos profissionais participaram ou quais municípios do Litoral Norte estiveram representados.
Também não foram encaminhados protocolos, cartilhas, notas técnicas ou orientações estaduais aos municípios, documentos que estavam entre os pontos questionados pela reportagem.
Dados sobre o atendimento continuam pendentes
O UBA24 solicitou informações para verificar como a política estadual chega, na prática, às mulheres de Ubatuba, Caraguatatuba, São Sebastião e Ilhabela.
Entre os questionamentos estavam a relação dos serviços estaduais e regionais disponíveis, as estatísticas de atendimento, o acesso a exames e medicamentos e a existência de filas ou demanda reprimida.
A resposta descreve a orientação geral de atendimento e menciona ações de capacitação, mas não permite dimensionar a cobertura da assistência na região.
A ausência desses dados na manifestação não demonstra que os serviços não existam. Significa que as informações solicitadas não foram apresentadas à reportagem.
Secretaria da Mulher explica atuação em parceria
A Secretaria Estadual de Políticas para a Mulher também respondeu ao UBA24. A pasta informou que possui atuação transversal, coordenando serviços e programas para mulheres em parceria com outras secretarias.
Sobre os dados de saúde, esclareceu que as informações ficam sob responsabilidade da Secretaria de Estado da Saúde.
A reportagem havia perguntado sobre campanhas, palestras, rodas de conversa, materiais informativos e articulações voltadas às mulheres no climatério e na menopausa.
A manifestação recebida não detalhou essas iniciativas nem apresentou um calendário de ações relacionadas ao tema.
Prefeitura de Ubatuba ainda não respondeu
À Secretaria Municipal de Saúde, o UBA24 perguntou se existe protocolo específico para o atendimento no climatério e na menopausa e como são realizados o acolhimento, a orientação e o acompanhamento nas unidades básicas.
Também foram solicitadas informações sobre a disponibilidade de ginecologistas, endocrinologistas, clínicos, nutricionistas, psicólogos e equipes multiprofissionais.
Os questionamentos abrangem o número de mulheres acima de 40 anos cadastradas na rede, os atendimentos registrados em 2024, 2025 e 2026 e o acesso a consultas, exames e tratamentos relacionados a essa fase da vida.
Até esta atualização, o município não havia encaminhado resposta nem informado prazo para esclarecer as perguntas.
Por isso, ainda não foi possível apresentar aos leitores um panorama da assistência municipal específica às mulheres no climatério e na menopausa.
O que prevê a lei estadual
A Lei Estadual nº 18.074/2024 instituiu a Política Estadual de Conscientização e Atenção Integral à Saúde das Mulheres no Climatério e na Menopausa.
A legislação prevê diretrizes para humanizar o atendimento, capacitar profissionais, estimular o cuidado multidisciplinar e disseminar informações sobre sintomas, diagnóstico e acompanhamento.
Entre seus objetivos estão facilitar o acesso gratuito a medicamentos hormonais e não hormonais, assegurar exames diagnósticos, garantir acompanhamento psicológico e multidisciplinar especializado e disponibilizar tratamento contínuo e individualizado.
A norma também criou a Semana Estadual de Conscientização para Mulheres no Climatério e na Menopausa, a ser realizada anualmente na primeira quinzena de março.
A existência da legislação, entretanto, não esclarece, por si só, como os serviços estão organizados em cada município. Esse é o ponto central da apuração do UBA24.
Menopausa não se resume aos calorões
Na resposta encaminhada à reportagem, a SES-SP também apresentou esclarecimentos sobre essa etapa da vida.
Segundo a secretaria, a menopausa corresponde à última menstruação e costuma ocorrer por volta dos 48 anos, embora a idade varie. O diagnóstico é retrospectivo, após 12 meses consecutivos sem menstruar, quando essa interrupção está relacionada à redução fisiológica da função ovariana.
A perimenopausa envolve a transição em torno da menopausa, com irregularidades menstruais e possível aparecimento de sintomas. Já a pós-menopausa corresponde ao período posterior e se estende pelo restante da vida.
A pasta destacou ainda o hipoestrogenismo, termo utilizado para descrever a redução dos níveis de estrogênio. Essa condição pode estar associada a alterações nas vias neurais e nos neurotransmissores, com possíveis efeitos sobre o sono, o humor, as funções cognitivas e a memória.
As manifestações variam entre as mulheres. Além dos fogachos, conhecidos como calorões, podem ocorrer suor noturno, alterações do sono e do humor, desconfortos geniturinários e dores nas articulações. O Ministério da Saúde orienta uma abordagem individualizada pela Atenção Primária, com avaliação das necessidades de cada mulher e articulação com outros serviços quando necessário.
O UBA24 continuará incorporando à reportagem as informações oficiais recebidas. A manifestação da Prefeitura de Ubatuba será incluída caso seja encaminhada, assim como eventuais complementações das secretarias estaduais.