
Morte na 28 Praias: apuração aponta que ambulância do atendimento não tinha DEA; organização ainda não responde
A morte de um atleta de 53 anos durante a prova 28 Praias, em Ubatuba, neste sábado (17), ganhou um novo ponto de apuração. Segundo informações obtidas pelo UBA24, a ambulância envolvida no primeiro atendimento ao competidor não dispunha de DEA — desfibrilador externo automático.
A informação ainda aguarda posicionamento oficial da organização. A reportagem procurou os responsáveis pelo contato divulgado no site do evento e, até o fechamento desta atualização, não recebeu resposta formal.
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Contato pelo Instagram não esclarece onde estava o equipamento
Depois da primeira publicação, uma pessoa identificada no Instagram como Tani Oreggia entrou em contato com a reportagem. Ela não se apresentou como assessoria de imprensa nem encaminhou uma nota oficial da organização, mas afirmou que amigos do atleta já realizavam manobras de reanimação quando o atendimento chegou, que haveria três ambulâncias envolvidas e que um representante da Federação Paulista de Atletismo teria acompanhado a ocorrência.
Na conversa, Tani também afirmou que havia “DEA no local” e “também desfibrilador”. A resposta, porém, não esclarece a principal dúvida levantada pela apuração: se a ambulância que efetivamente chegou ao atleta possuía o equipamento disponível para uso imediato.
DEA é a sigla para desfibrilador externo automático, ou seja, um tipo de desfibrilador. Dessa forma, a manifestação não permite saber se a interlocutora se referia a dois equipamentos diferentes ou se os termos foram empregados de forma imprecisa. Também não foi informado em qual ponto da prova o aparelho estaria, em qual ambulância ou se chegou a ser utilizado.

Organização condiciona nota à autorização da família
Na mesma conversa, Tani afirmou que só haveria nota oficial caso a família autorizasse. O UBA24 respeita a privacidade dos familiares e, até o momento, não divulgou a identidade do atleta nem informações médicas particulares.
Por outro lado, esclarecimentos sobre quantidade de ambulâncias, equipamentos disponíveis, localização do DEA e protocolo de atendimento adotado durante uma prova esportiva dizem respeito à estrutura operacional do evento. A autorização da família pode ser necessária para divulgação de dados pessoais ou médicos, mas não impede que a organização esclareça publicamente quais recursos de emergência estavam disponíveis.
A reportagem aguarda uma manifestação oficial que responda objetivamente quantas ambulâncias estavam na prova, quais delas possuíam DEA, onde o equipamento estava localizado, se foi utilizado no atendimento e qual foi a sequência do socorro.
Não há, neste momento, elementos para afirmar que houve censura ou tentativa de abafar o caso. O que está documentado é que a organização ainda não respondeu oficialmente aos questionamentos e que a manifestação recebida pelo Instagram não esclareceu os pontos técnicos centrais.
A causa da morte também não foi confirmada oficialmente. O UBA24 continuará atualizando o caso conforme novas informações documentadas forem obtidas.
A morte registrada neste sábado não é a primeira associada ao Desafio 28 Praias. Em 22 de setembro de 2018, um atleta de Mauá, de 29 anos segundo reportagens da época, morreu enquanto disputava o percurso de 21 quilômetros da prova em Ubatuba. Ele passou mal em uma trilha próxima à Praia do Tenório, sofreu uma parada cardiorrespiratória e chegou a receber atendimento, mas não resistiu.
